quinta-feira, 11 de março de 2010

ABRIGO SUBTERRÂNEO - DINÂMICA

Imaginem que nossa cidade está sob ameaça de um bombardeio. Aproxima-se um homem e lhes solicita uma decisão imediata. Existe um abrigo subterrâneo que só pode acomodar seis pessoas. Há doze que pretendem entrar. Abaixo há uma relação das doze pessoas interessadas em entrar no abrigo. Faça sua escolha, destacando seis tão-somente. Justifique sua escolha.

( ) Um músico, com 40 anos de idade, dependente químico;

( ) Um advogado, com 25 anos de idade, acusado de pedofilia;

( ) A mulher do advogado, com 24 anos de idade, que acaba de sair do manicômio. Ambos preferem ficar juntos no abrigo, ou fora dele;

( ) Um sacerdote, com a idade de setenta e cinco anos;

( ) Uma prostituta, com 34 anos de idade;

( ) Um ateu, com 20 anos de idade, autor de vários homicídios;

( ) Uma mulher, Dona de Casa de 30 anos HIV +;

( ) Um professor, com 28 anos de idade, que só aceita entrar no abrigo se puder levar consigo sua arma;

( ) Um pregador fanático, com 21 anos de idade, doente de Tuberculose;

( ) Uma menina, com 12 anos de idade, e baixo QI;

( ) Um homossexual, com 47 anos de idade;

( ) Uma deficiente mental, com 32 anos de idade, que sofre de ataques epiléticos.


FONTE: www.sap.sp.gov.br/...3/.../3_3_pc_i_potim_reviv_carcere.doc

domingo, 7 de março de 2010

FUNÇÕES DA LINGUAGEM











Num ato de comunicação, estão sempre presentes seis elementos, que, no caso da comunicação linguística, são os seguintes:
1. emissor: quem se comunica, isto é, quem emite a mensagem, falando ou escrevendo (o eu da comunicação);
2. receptor: quem recebe a mensagem, isto é, o ouvinte ou leitor (o tu ou você da comunicação);
3. mensagem: o texto, falado ou escrito, que o emissor envia ao receptor;
4. referência ou referente: aquilo a que a mensagem se refere (o ele/ela/aquilo da comunicação);
5. código: língua na qual a mensagem é elaborada;
6. canal: meio de transmissão da mensagem (vibrações no ar, papel e tinta, telefone...).
Numa dada comunicação, a função da linguagem é determinada pela importância relativa de cada um desses elementos. Dependendo do elemento que ocupe o papel central, temos uma ou outra das seguintes funções da linguagem:
1. função EMOTIVA: o emissor ocupa o centro da comunicação, pois a mensagem se refere ao próprio emissor, ao eu que se manifesta, exprimindo seus sentimentos e emoções. O exemplo mínimo de função emotiva é uma interjeição (ah! ui!), palavra que pura e simplesmente denota emoção; outros exemplos: cartas de amor, lamentos;
2. função CONATIVA ou imperativa: o receptor é o foco da comunicação, pois a mensagem visa a convencê-lo, influenciá-lo, determinar o seu comportamento. Os exemplos mínimos desta função são o imperativo, forma verbal que exprime ordem ou exortação, e o vocativo, que é um apelo ou chamamento ao receptor; outros exemplos são ordens e conclamações de qualquer tipo, propaganda etc.;
3. função POÉTICA, estética ou artística: a própria mensagem (o texto) ocupa o centro da comunicação, pois ela é organizada para produzir um efeito estético, isto é, artístico. Neste caso, o elemento decisivo é a organização das palavras, voltada para uma estruturação excelente do texto. Assim, ao preferir dar a sua filha o nome Ana Paula em vez de Paula Ana, o pai está escolhendo o texto (o nome) que soa melhor, que produz melhor efeito estético, ou seja, que é mais belo. Ele está usando a linguagem em sua função poética, tanto quanto um poeta, que escolhe as palavras levando em conta não apenas os seus sentidos, mas também os seus sons, os seus ritmos, as suas imagens, as suas evocações;
4. função REFERENCIAL: o centro da comunicação é o referente, a mensagem é voltada para a referência ao mundo, como ocorre em notícias de jornal ou quaisquer textos informativos a respeito da realidade exterior à comunicação;
5. função METALINGUÍSTICA: a linguagem se volta sobre a própria linguagem, seja por se referir ao código, isto é, à língua em que a mensagem é elaborada (como numa gramática ou dicionário), seja por se referir a si mesma ou a outras mensagens, tomadas em seus aspectos linguísticos (como nos estudos sobre literatura e arte);
6. função FÁTICA: a mensagem se refere ao canal que a transmite. Por exemplo, quando dizemos alô ao telefone, o que comunicamos é que o canal (o sistema telefônico) está conectado. Quando perguntamos Como vai? a alguém que acabamos de encontrar, o que desejamos é iniciar o contacto com a pessoa (ligar o canal), não propriamente saber de sua vida. Várias funções da linguagem podem estar presentes numa mesma mensagem; uma dessas funções, porém, será predominante e as demais, secundárias. Sirva de exemplo o famoso poema de Vinícius de Moraes que começa com De tudo ao meu amor serei atento / Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto... Nesse poema, como em toda poesia, predomina a função poética da linguagem, como acima se explicou. Mas, ao lado da função poética, destaca-se a função emotiva, pois se trata de um poema lírico, assim chamado porque nele um eu (o eu lírico) exprime suas emoções.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

UMA ESCOLA LITERÁRIA É COMPOSTA POR UM CONJUNTO DE OBRAS E AUTORES COM SEMELHANÇAS ESTILÍSTICAS E TEMÁTICAS QUE PREDOMINAM DURANTE UM DETERMINADO ESPAÇO DE TEMPO.
O TERMO ESCOLA LITERÁRIA É EQUIVALENTE A ESTILO LITERÁRIO OU ESTILO DE ÉPOCA.
ESTILO LITERÁRIO OU ESTILO DE ÉPOCA É O CONJUNTO DE CARACTERÍSTICAS COMUNS A GRANDE MAIORIA DAS OBRAS DE UM DETERMINADO PERÍODO CRONOLÓGICO.
ESTILO PESSOAL É O CONJUNTO DE CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS DE UM DETERMINADO AUTOR.
* * *
CONTEXTO LITERÁRIO

QUALQUER OBRA LITERÁRIA TRAZ EM SI MARCAS DO CONTEXTO EM QUE FOI PRODUZIDA, COMO:
- IDEOLOGIA DOMINANTE NO PERÍODO
- REALIDADE SOCIAL DO PERÍODO
- REALIDADE POLÍTICA DO PERÍODO
- REALIDADE ECONÔMICA DO PERÍODO
- CULTURA DOMINANTE NO PERÍODO
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PERÍODO LITERÁRIO
NA LITERATURA DE LÍNGUA PORTUGUESA (PORTUGAL E BRASIL), EXISTEM TRÊS GRANDES PERÍODOS LITERÁRIOS:
- PERÍODO MEDIEVAL ( SÓ PORTUGAL )
- PERÍODO CLÁSSICO ( PORTUGAL E BRASIL )
- PERÍODO MODERNO ( PORTUGAL E BRASIL )
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PERÍODO OU ERA MEDIEVAL

PERÍODO QUE VAI DO SEC. XII (DATA DOS MAIS ANTIGOS TEXTOS LITERÁRIOS EM PORTUGUÊS) ATÉ O INÍCIO DO RENASCIMENTO NO SEC. XV.
COMPREENDE DUAS ESCOLAS LITERÁRIAS:
- TROVADORISMO: SEC. XII a SEC. XIV
- HUMANISMO: SEC. XV
*
ERA MEDIEVAL
C A R A C T E R Í S T I C A S
- TEOCENTRISMO
- FEUDALISMO
- DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA
- MISTICISMOIRRACIONALISMO
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PERÍODO OU ERA CLÁSSICA

PERÍODO QUE VAI DO SEC. XVI QUANDO OCORRE O RENASCIMENTO ATÉ A QUEDA DAS MONARQUIAS ABSOLUTISTAS NO FINAL DO SEC. XVIII.
COMPREENDE TRÊS ESCOLAS LITERÁRIAS:
- CLASSICISMO: SEC. XVI
- BARROCO: SEC. XVII
- ARCADISMO/NEOCLASSICISMO: SEC. XVIII
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ERA CLÁSSICA
C A R A C T E R Í S T I C A S
- RENASCIMENTO
- ANTROPOCENTRISMO
- MERCANTILISMO
- ABSOLUTISMO MONÁRQUICO
- CIENTIFICISMO
- RACIONALISMO
- REFORMA E CONTRA REFORMA
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PERÍODO OU ERA MODERNA
PERÍODO QUE COMEÇA COM A ASCENSÃO DA BURGUESIA NO FINAL DO SEC. XVIII E SE ESTENDE ATÉ OS DIAS ATUAIS.
COMPREENDE AS SEGUINTES ESCOLAS LITERÁRIAS:
- ROMANTISMO - SEC. XIX (1ª metade)
- REALISMO/NATURALISMO - SEC. XIX (2ª metade)
- PARNASIANISMO ( BRASIL) - SEC. XIX (2ª metade)
- SIMBOLISMO - SEC. XIX ( final )
- PRÉ-MODERNISMO (BRASIL) - SEC. XX ( início )
- MODERNISMO ( 1º, 2º e 3º tempo) - SEC. XX
*
ERA MODERNA
C A R A C T E R Í S T I C A S
- REVOLUÇÕES FRANCESA E INDUSTRIAL
- QUEDA DA MONARQUIA
- ASCENSÃO DA BURGUESIA
- INDIVIDUALISMO
- VISÃO COMERCIAL DA ARTE
- RUPTURA E EXPERIMENTAÇÃO ARTÍSTICA
- PSICANÁLISE
- INVESTIGAÇÃO EXISTENCIAL
***
FONTE: www.cvnsg.com.br/recursos/file/.../esolas_literarias.ppt

O QUE É LITERATURA?


MARCELO MACIEL DE ALMEIDA

Os textos em questão visam a uma tentativa de definir literatura. O primeiro texto é uma breve resenha de "O Conceito de Literatura", de Gustavo Bernardo, in JOBIM, José Luís (org) INTRODUÇÃO AOS TEXTOS LITERÁRIOS. Rio de Janeiro: ed UERJ, 1999.

No texto "O Conceito de Literatura", Gustavo Bernardo, inicialmente, analisa um quadro de Pablo Picasso. É interessante salientar que, na obra em questão, o desenho de um centauro foi feito sem que se tirasse o lápis do papel.
Um outro aspecto interessante abordado por Bernardo é a "economia dos meios", sendo que toda técnica deve buscar "movimentos" que levem ao efeito final.
Partindo de tais premissas, o autor nos pergunta o que é a literatura e o porquê de alguém se interessar por uma determinada obra. A definição de literatura, como se percebe, remete-nos a questões filosóficas da existência do ser. Quando nos definimos como ser, o fazemos de forma vaga, imprecisa. Assim, percebemos que, qualquer conceito é uma ficção.
Habilmente, Gustavo Bernardo lança-se do poema "Autopsicografia" para resgatar o conceito de mímese. Em síntese, a "dor" sentida pelo poeta, que em um primeiro momento parece ser fingida, ajuda aquele a lidar com a dor que "deveras sente", com os seus sentimentos.
É bastante interessante a análise do adágio latino mundus vult decipi, decipiatur ergo (o mundo quer ser enganado, logo que o seja). Tal adágio permite-nos vislumbrar o conceito de ficção aliado à possibilidade de "vivermos uma determinada história". O escritor, "brincando com as palavras", permite viver fantasias, tornado-as públicas. O leitor identifica-se ou não com uma determinada personagem, inserindo-se num mundo, a priori, fictício (mundo fictus).
Em "O Conceito de Literatura", o leitor é questionado sobre os valores da literatura. Mais do que conceituá-la, busca-se atribuir-lhe um valor lúdico, ou institucional. Não há uma resposta "pronta e acabada" para defini-la. Pelo contrário, o autor finaliza seu texto com uma pergunta tal como na maiêutica socrática. Se a literatura é ficção, ela tem comprometimento com o real? Visa ao lúdico, ao entretenimento? Tem utilidade? Creio que para responder a cada uma destas questões deverá o leitor fazê-lo por si mesmo, a partir de sua inserção no "mundo da leitura". E, assim, cada um de nós, elaborará um conceito peculiar. Mais importante que definir literatura é sua vivência, são as reações que cada obra proporciona a seu leitor.

Texto publicado inicialmente no síteio Templo XV em 29/8/2004:(
http://www.temploxv.com.br/obraxv.aspx?idObra=877&Entidade=3&idAutor=612)


"A arte é o espelho social de uma época" (Raul Seixas)

Literatura (litera, ae): "letra do alfabeto, caráter da escrita". Por extensão, "ciência relativa às letras ou à arte de escrever". Devemos lembrar, contudo, que boa parte da produção poética era oral.

Caraterísticas de um texto literário
Como dizia Aristóteles, os fatos apresentados no texto literário não fazem necessariamente parte da realidade. Assim, a ficção (a simulação, o fingimento, a criação ou invenção de coisas imaginárias, a fantasia) é um componente da Literatura.
As palavras, no texto literário, podem assumir vários significados (plurisssignificação).
A literatura tem caráter subjetivo, ou seja, está associada à "expressão pessoal de experiências, emoções, sentimentos". Subjetivo é aquilo que é relativo ao sujeito, individual, pessoal, particular.
É importante observar, além do conteúdo formal, as condições de produção de uma dada obra, ou seja, os dados referentes ao momento histórico, cultural e social da criação da mesma.

Alguns elementos importantes no estudo do texto literário
* Estilo de época: conjunto de traços e normas que orientam e caracterizam a produção artística de um determinado momento histórico.
* Historiografia literária: estudo das escolas e épocas.
A cada estilo de época corresponderá uma escola literária, ou seja, um conjunto de características formais e de seleção de conteúdo evidente na obra de escritores e poetas que viveram em um mesmo momento.
***
Alguns textos literários que refletem a própria arte literária - A Metalinguagem
***
PROCURA DA POESIA
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
*
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
*
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro são indiferentes. Nem me reveles teus sentimentos, que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
*
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
*
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
*
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
*
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
*
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície inata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
*
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
*
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
***
***
O LUTADOR
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
*
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entretanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio, apareço e tento
apanhar algumas
ara meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.
*
Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
*
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue...
Entretanto, luto.
*
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dentenessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.
corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes, não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normasda boa peleja.
*
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.
*
O ciclo do diaora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.
***
***
QUE É POESIA?
CASSIANO RICARDO
*
Que é Poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos os lados.
*
Que é o Poeta?
um homem
que trabalha o poema
com o suor de seu rosto
um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.
***
***
AUTOPSICOGRAFIA
FERNANDO PESSOA
*
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
*
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
*
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
***
***
REFERÊNCIAS:
http://www.pucrs.br/gpt/poesia.php (Como ler e escrever poesia)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

IGREJA SANTA TERESINHA - PADRES


PROJETO PATRIMÔNIO HISTÓRICO - A IGREJA SANTA TERESINHA








Dom Antônio de Almeida Lustosa, no dia 17 de dezembro de 1927, abençoou a pedra fundamental para a construção da Igreja Santa Terezinha. A inauguração se deu no dia 31 de março de 1929.
Com a chegada dos Padres Capuchinhos, no final do ano de 1946, surgiu a necessidade de construção de uma nova Matriz.
As obras da atual Igreja de Santa Terezinha iniciaram-se no dia 07 de janeiro de 1960. Sua pedra fundamental foi benzida por Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, no dia 02 de outubro do mesmo ano. A antiga Igreja pintada de cor rosa, foi demolida em dezembro de 1961. A planta foi desenhada pelo Sr. Nicolau Baldassare, sob a orientação do Vigário da Paróquia. A construção ficou a cargo do engenheiro uberabense João Laterza. “Os trabalhos de decoração e pintura foram entregues aos artistas espanhóis Carlos Fachion Sanchez e Antônio Lopes Dias. Os vitrais foram encomendados à Casa de Vitrais Conrado Sorgenicht S.A., de São Paulo. Os temas foram inspirados na vida de São Francisco de Assis, e principalmente, na vida de Santa Terezinha do Menino Jesus.
No dia 07 de março de 1965, foi celebrada a primeira missa em língua vernácula, na Igreja de Santa Terezinha” (PRATA, 1987, p.131).
A inauguração da igreja nova foi no dia de Santa Terezinha, 1º de outubro de 1962, durante missa cantada pelo coral do Instituto Marcelino Champagnat, dos irmãos Maristas, segundo depoimento do prof. Pedro dos Reis Coutinho, que fazia parte do coral.


60 anos da Paróquia Santa Teresinha II - Carlos Pedroso
Para entender o nome de Paróquia Santa Teresinha, precisamos nos reportar ao segundo bispo de Uberaba, Dom Lustosa, que era padre salesiano, ilustre professor de Português. Nomeado bispo de Uberaba, a 4 de junho de 1924, com posse a 1º de março de 1925. Sendo salesiano, aperfeiçoou o carisma de sua congregação, que é crer ser possível educar a juventude para viver o ideal cristão de fuga a todo pecado. Um aluno salesiano, falecido com apenas 15 anos, a 9 de março de 1857, Domingos Sávio, foi canonizado a 12 de junho de 1954, por ter vivido seu santo propósito: “Antes morrer que pecar”. Outra católica glória de santidade juvenil do século 19 foi Santa Teresinha, falecida em 30 de setembro de 1897 e canonizada a 23 de abril de 1925. Entusiasmado, Dom Lustosa toma posse em Uberaba a 1ª de março de 1925, um mês antes daquela célebre canonização tão festejada e comentada por todo o mundo católico. Uma santinha que viveu só 7 anos em mosteiro carmelita, passou ao mundo a ideia de que santidade é possível até para jovens. Dom Lustosa não perdeu a oportunidade de exaltar a possível santidade mesmo para gente de vida simples. Idealizou a construção do Santuário de Santa Teresinha no bairro Fabrício, na praça Santa Bárbara, hoje Santa Teresinha. A matriz de Uberaba, a Abadia, São Domingos e, naquele tempo, a catedral das Mercês eram as igrejas para as Missas dominicais. Com o Santuário, os fabricianos teriam sua própria igreja. O povo católico aprovou a ideia dessa comemoração da canonização de Santa Teresinha, ali na praça S. Bárbara, hoje S. Teresinha. Mas houve opositores ferrenhos. Ali na praça morava um político muito influente, Sr. Ranulfo Borges, que desejava que a praça tivesse o nome de seu pai, Sr. Aristides Borges. O santuário virou caso de política. O célebre pintor uberabense de fama nacional, José Maria Reis Júnior, autor de um livro sobre a pintura de Belmiro Almeida, escreveu no “Lavoura e Comércio” um artigo afirmando haver aqui igrejas demais. Melhor seria construir um leprosário. Fiscais da prefeitura, instigados pelos ricos Araras e por Sr. Ranulfo Borges, perseguiam aquelas quermesses. A 24 de maio de 1927, D. Lustosa apelou ao Dr. José Ferreira do partido dos pobres, o Pachola. Dr. Ferreira era esposo de Dona Yayá, festeira católica de quermesses. Cessadas as oposições, a bênção da pedra fundamental a 18 de dezembro de 1927, comemorado o evento, no Natal de 1927, com rosas a quem contribuísse. A inauguração do Santuário foi a 31 de março de 1929. Infelizmente, demolido em 1960.

Carlos Pedroso é professor de português, historiador e autor de livros, artigos e ensaios sobre a história de Uberaba

FONTE:


60 anos da Paróquia Santa Teresinha III - Carlos Pedroso
Missionários capuchinhos italianos itinerantes estão presentes no Brasil desde 1538. Em artigo anterior, relembramos a História por que a Paróquia de Santa Teresinha se chama assim. Existe como paróquia desde 20 de agosto de 1946 e sua primeira matriz foi o pequeno Santuário de Santa Teresinha, inaugurado por Dom Lustosa a 31 de maio de 1929. Consta, salvo melhor pesquisa histórica, que a prefeitura cedera metade da Praça Santa Teresinha para espaço do antigo Santuário. Não li tal documento municipal. Se realmente existiu essa “concessão” à Igreja, em metade da praça Santa Teresinha, foi um grande erro histórico a prefeitura ter negado a construção desta atual igreja em frente ao pequeno mas altivo santuário, que não precisava ter sido demolido. Uberaba precisa aprender a não destruir monumentos históricos. Ficariam tão históricas as duas igrejas, uma na frente da outra... Onde hoje é a praça Santa Teresinha era o Largo Santa Bárbara. Era lugar de touradas e de circos. Era também o lugar de corso de blocos carnavalescos ou de “festas carnavalescas que se realizam no mesmo jardim”, segundo o testemunho de uma carta de D. Lustosa ao Dr. José Ferreira, queixando-se de que havia perseguição religiosa contra quermesses em benefício da construção do Santuário de Santa Teresinha, sob o pretexto de desordens e barulho, quando a prefeitura tinha permitido no mesmo local barulhentos circos e festas carnavalescas. Nesse antigo Largo Santa Bárbara, para pedir chuva do céu, eram célebres as procissões religiosas até um tosco cruzeiro ali instalado. Quanto a circos, em Uberaba foi famoso o circo dos irmãos Chirolo com bonecos. O último circo ali instalado no largo foi o Circo Stefanovick, russo, com os palhaços O Bêbado e O Gusta Gusta, em 1926, e foi a primeira vez que Uberaba viu um elefante de circo. Na praça S. Teresinha, se veem sinais de chafariz tendo, até 1969, água corrente e peixinhos. Santa Bárbara é a santa protetora contra intempéries climáticas. Nesse largo, antigamente, havia a antiga tradição de procissões de madrugada em tempo das 4 anuais “temporas” litúrgicas ao início das 4 estações do ano. Eram 3 dias de jejum, quarta-feira, sexta-feira e sábado da terceira semana do Advento, depois da primeira semana da Quaresma, depois da semana que precede Pentecostes e finalmente da terceira semana de setembro. Nessas procissões em madrugadas, o padre ia à frente com o longo e pesado pluvial, rezando longas ladainhas repetidas pelo povo, pedindo boas colheitas a Deus. Com a predominância da população não mais residindo na zona rural, após o Concílio Vaticano II, 1965, a Igreja retirou da Liturgia vários costumes medievais e até o jejum das 4 têmporas do ano. Bom Domingo.

Carlos Pedroso é professor de português, historiador e autor de livros, artigos e ensaios sobre a história de Uberaba
FONTE:

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