quinta-feira, 18 de março de 2010

TROVADORISMO



A época do trovadorismo abrange as origens da Língua Portuguesa, a língua galaico-portuguesa (o português arcaico) que compreende o período de 1189 a 1418. Portugal ocupava-se com as Cruzadas, a luta contra os mouros, e estava marcado pelo teocentrismo (universo centrado em Deus, a vida estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma) e pelo sistema feudal (sistema econômico e político, entre senhores e vassalos ou servos), já enfraquecido, em fase de decadência. Quando finalmente a guerra chega ao fim, começam manifestações sociais de período de paz, entre elas a literatura, e em torno dos castelos feudais também desenvolveu-se um tipo de literatura que redimensiona a visão do mundo medieval e aponta para novos caminhos, essa manifestação literária é o Trovadorismo.
Os poetas e cronistas dessa época eram chamados de trovadores, pois no norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère (em Português: trovador), cujo radical é: trouver (achar), dizia-se que os poetas “achavam” sua canção e a cantavam acompanhados de instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. Os trovadores tinham grande liberdade de expressão, entravam em questões políticas e exerceram destacado papel social. O primeiro texto escrito em português foi criado no século XII (1189 ou 1198) era a “Cantiga da Ribeirinha”, do poeta Paio Soares de Taveirós, dedicada a D. Maria Paes Ribeiro, a Ribeirinha. As poesias trovadorescas estão reunidas em cancioneiros ou Livros de canções. São três os cancioneiros: Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (Colocci-Brancuti), além de um quarto livro de cantigas dedicadas à Virgem Maria pelo rei Afonso X, o Sábio. Surgiram também os textos em prosa de cronistas como Rui de Pina, Fernão Lopes e Eanes de Azuraram e as novelas de cavalaria, como A Demanda do Santo Graal.

Tipos de Cantiga.

Os primórdios da literatura galaico-portuguesa foram marcados pelas composições líricas destinadas ao canto. Essas cantigas dividiam-se em dois tipos:

Refrão, caracterizadas por um estribilho repetido no final de cada estrofe,

Mestria, que era mais trabalhada, sem algo repetitivo.

Essas eram divididas em temas, que eram: Cantigas de Amor, Amigo e de Escárnio e Maldizer. Mas com o surgimento dos textos em prosa e novelas de cavalaria, houve uma nova “classificação”, que deixou dividido em:

Lírico Amorosa, subdividida em: cantiga de amor e cantiga de amigo.

Satírica, de escárnio e maldizer.


Temas

Cantiga de Amor

Quem fala no poema é um homem, que se dirige a uma mulher da nobreza, geralmente casada, o amor se torna tema central do texto poético. Esse amor se torna impraticável pela situação da mulher. Segundo o homem, sua amada seria a perfeição e incomparável a nenhuma outra. O homem sofre interiormente, coloca-se em posição de servo da mulher amada. Ele cultiva esse amor em segredo, sem revelar o nome da dama, já que o homem é proibido de falar diretamente sobre seus sentimentos por ela (de acordo com as regras do amor cortês), que nem sabe dos sentimentos amorosos do trovador. Nesse tipo de cantiga há presença de refrão que insiste na idéia central, o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura.

São cantigas que espelham a vida na corte através de forte abstração e linguagem refinada.


Cantiga de Amigo

O trovador coloca como personagem central uma mulher da classe popular, procurando expressar o sentimento feminino através de tristes situações da vida amorosa das donzelas. Pela boca do trovador, ela canta a ausência do amigo (amado ou namorado) e desabafa o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. Nesse tipo de poema, a moça conversa e desabafa seus sentimentos de amor com a mãe, as amigas, as árvores, as fontes, o mar, os rios, etc. É de caráter narrativo e descritivo e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região.


Cantigas de escárnio e de maldizer

Esse tipo de cantiga procurava ridicularizar pessoas e costumes da época com produção satírica e maliciosa.

As cantigas de escárnio são críticas, utilizando de sarcasmo e ironia, feitas de modo indireto, algumas usam palavras de duplo sentido, para que, não entenda-se o sentido real.

As de maldizer, utilizam uma linguagem mais vulgar, referindo-se diretamente a suas personagens, com agressividade e com duras palavras, que querem dizer mal e não haverá outro modo de interpretar.

Os temas centrais destas cantigas são as disputas políticas, as questões e ironias que os trovadores se lançam mutuamente.

As novelas de cavalaria - Surgiram derivadas de canções de gesta e de poemas épicos medievais. Refletiam os ideais da nobreza feudal: o espírito cavalheiresco, a fidelidade, a coragem, o amor servil, mas estavam também impregnadas de elementos da mitologia céltica. A história mais conhecida é A Demanda do Santo Graal, a qual reúne dois elementos fundamentais da Idade Média quando coloca a Cavalaria a serviço da Religiosidade. Outras novelas que também merecem destaque são "José de Arimatéia" e "Amadis de Gaula".


Autores (Trovadores)

Os mais conhecidos trovadores foram: João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João Zorro, Aires Nunes, Nuno Fernandes Torneol.

Paio Soares Taveiroos (ou Taveirós) era um trovador da primeira metade do século XIII. De origem nobre, é o autor da Cantiga de Amor A Ribeirinha, considerada a primeira obra em língua galaico-portuguesa.

Dom Dinis, o Trovador, foi um rei importante para Portugal, sua lírica foi de 139 cantigas, a maioria de amor, apresentando alto domínio técnico e lirismo, tendo renovado a cultura numa época em que ela estava em decadência em terras ibéricas.

D. Afonso X, o Sábio, foi rei de Leão e Castela. É considerado o grande renovador da cultura peninsular na segunda metade do século XIII. Acolheu na sua corte e trovadores, tendo ele próprio escrito um grande número de composições em galaico-português que ficaram conhecidas como Cantigas de Santa Maria. Promoveu, além da poesia, a historiografia, a astronomia e o direito, tendo elaborado a General Historia, a Crônica de España, Libro de los Juegos, Las Siete Partidas, Fuero Real, Libros del Saber de Astronomia, entre outras.

D. Duarte foi o décimo primeiro rei de Portugal e o segundo da segunda dinastia. D. Duarte foi um rei dado às letras, tendo feito a tradução de autores latinos e italianos e organizando uma importante biblioteca particular. Ele próprio nas suas obras mostra conhecimento dos autores latinos. São obras suas: Livro dos Conselhos; Leal Conselheiro; Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela.

Fernão Lopes é considerado o maior historiógrafo de língua portuguesa, aliando a investigação à preocupação pela busca da verdade. D. Duarte concedeu-lhe uma tença anual para ele se dedicar à investigação da história do reino, devendo redigir uma Crônica Geral do Reino de Portugal. Correu a província a buscar informações, informações estas que depois lhe serviram para escrever as várias crônicas (Crônica de D. Pedro I, Crônica de D. Fernando, Crônica de D. João I, Crônica de Cinco Reis de Portugal e Crônicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal). Foi “guardador das escrituras” da Torre do Tombo.

Frei João Álvares a pedido do Infante D. Henrique, escreveu a Crônica do Infante Santo D. Fernando. Nomeado abade do mosteiro de Paço de Sousa, dedicou-se à tradução de algumas obras pias: Regra de São Bento, os Sermões aos Irmãos do Ermo atribuídos a Santo Agostinho e o livro I daImitação de Cristo.

Gomes Eanes de Zurara, filho de João Eanes de Zurara. Teve a seu cargo a guarda da livraria real, obtendo em 1454 o cargo de “cronista-mor” da Torre do Tombo, sucedendo assim a Fernão Lopes. Das crônicas que escreveu destacam-se: Crônica da Tomada de Ceuta, Crônica do Conde D. Pedro de Meneses, Crônica do Conde D. Duarte de Meneses e Crônica do Descobrimento e Conquista de Guiné.


Algumas cantigas:


CANTIGA DE AMOR - Paio Soares de Taveirós

No mundo non me sei parelha,

Mentre me for’como me vay

Ca já moiro por vos – e ay!

Mia senhor branca e vermelha,

Queredes que vos retraya

Quando vus eu vi em saya!

Mao dia me levantei,

Que vus enton non vi fea!

E, mia senhor, des aquel di’ ay!

Me foi a mi muyn mal,

E vos, filha de don Paay

Moniz, e bemvus semelha

D’aver eu por vos guarvaya

Pois eu, mia senhor d’alfaya

Nunca de vos ouve, nem ei

Valia d’ua correa.


CANTIGA DE AMIGO - El-rei Dom Dinis

- Ai flores, ai flores do verde pino,

Se sabedes novas do meu amigo?

Ai, Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,

Se sabedes novas do meu amado?

Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo, Aquel que mentiu do que pôs comigo?

Ai, Deus, e u é?


CANTIGA DE ESCÁRNIO - Dom Afonso Sanches

Conheceis uma donzela

Por quem trovei e a que um dia

Chamei dona Berinjela?

Nunca tamanha porfia

Vi nem mais disparatada.

Agora que está casada

Chamam-lhe Dona Maria.

Algo me traz enojado,

Assim o céu me defenda:

Um que está a bom recato

(negra morte o surpreenda

e o Demônio cedo o tome!)

quis chamá-la pelo nome

e chamou-lhe Dona Ousenda.

Pois que se tem por formosa

Quanto mais achar-se pode,

Pela Virgem gloriosa!

Um homem que cheira a bode

E cedo morra na forca

Quando lhe cerrava a boca

Chamou-lhe Dona Gondrode.


CANTIGA DE MALDIZER -

Afonso Eanes de Coton

Maria Mateu, daqui vou desertar.
De cona não achar o mal me vem.
Aquela que a tem não ma quer dar
e alguém que ma daria não a tem.
Maria Mateu, Maria Mateu,
tão desejosa sois de cona como eu!

Quantas conas foi Deus desperdiçar
quando aqui abundou quem as não quer!
E a outros, fê-las muito desejar:
a mim e a ti, ainda que mulher.
Maria Mateu, Maria Mateu
tão desejosa sois de cona como eu!


FONTES:

http://www.brasilescola.com/literatura/trovadorismo.htm

http://cseabra.utopia.com.br/poesia/poesias/0643.html

http://pt.wikisource.org/wiki/No_mundo_non_me_sei_parelha

http://outrosversos.blogspot.com/2007/12/conheceis-uma-donzela-por-quem-trovei-e.html

http://arvoresdeportugal.free.fr/OHomemeaArvore/Textos%20literarios/AiFloresAiFloresdoVerdePinoElreidomDinis.htm

quinta-feira, 11 de março de 2010

ABRIGO SUBTERRÂNEO - DINÂMICA

Imaginem que nossa cidade está sob ameaça de um bombardeio. Aproxima-se um homem e lhes solicita uma decisão imediata. Existe um abrigo subterrâneo que só pode acomodar seis pessoas. Há doze que pretendem entrar. Abaixo há uma relação das doze pessoas interessadas em entrar no abrigo. Faça sua escolha, destacando seis tão-somente. Justifique sua escolha.

( ) Um músico, com 40 anos de idade, dependente químico;

( ) Um advogado, com 25 anos de idade, acusado de pedofilia;

( ) A mulher do advogado, com 24 anos de idade, que acaba de sair do manicômio. Ambos preferem ficar juntos no abrigo, ou fora dele;

( ) Um sacerdote, com a idade de setenta e cinco anos;

( ) Uma prostituta, com 34 anos de idade;

( ) Um ateu, com 20 anos de idade, autor de vários homicídios;

( ) Uma mulher, Dona de Casa de 30 anos HIV +;

( ) Um professor, com 28 anos de idade, que só aceita entrar no abrigo se puder levar consigo sua arma;

( ) Um pregador fanático, com 21 anos de idade, doente de Tuberculose;

( ) Uma menina, com 12 anos de idade, e baixo QI;

( ) Um homossexual, com 47 anos de idade;

( ) Uma deficiente mental, com 32 anos de idade, que sofre de ataques epiléticos.


FONTE: www.sap.sp.gov.br/...3/.../3_3_pc_i_potim_reviv_carcere.doc

domingo, 7 de março de 2010

FUNÇÕES DA LINGUAGEM











Num ato de comunicação, estão sempre presentes seis elementos, que, no caso da comunicação linguística, são os seguintes:
1. emissor: quem se comunica, isto é, quem emite a mensagem, falando ou escrevendo (o eu da comunicação);
2. receptor: quem recebe a mensagem, isto é, o ouvinte ou leitor (o tu ou você da comunicação);
3. mensagem: o texto, falado ou escrito, que o emissor envia ao receptor;
4. referência ou referente: aquilo a que a mensagem se refere (o ele/ela/aquilo da comunicação);
5. código: língua na qual a mensagem é elaborada;
6. canal: meio de transmissão da mensagem (vibrações no ar, papel e tinta, telefone...).
Numa dada comunicação, a função da linguagem é determinada pela importância relativa de cada um desses elementos. Dependendo do elemento que ocupe o papel central, temos uma ou outra das seguintes funções da linguagem:
1. função EMOTIVA: o emissor ocupa o centro da comunicação, pois a mensagem se refere ao próprio emissor, ao eu que se manifesta, exprimindo seus sentimentos e emoções. O exemplo mínimo de função emotiva é uma interjeição (ah! ui!), palavra que pura e simplesmente denota emoção; outros exemplos: cartas de amor, lamentos;
2. função CONATIVA ou imperativa: o receptor é o foco da comunicação, pois a mensagem visa a convencê-lo, influenciá-lo, determinar o seu comportamento. Os exemplos mínimos desta função são o imperativo, forma verbal que exprime ordem ou exortação, e o vocativo, que é um apelo ou chamamento ao receptor; outros exemplos são ordens e conclamações de qualquer tipo, propaganda etc.;
3. função POÉTICA, estética ou artística: a própria mensagem (o texto) ocupa o centro da comunicação, pois ela é organizada para produzir um efeito estético, isto é, artístico. Neste caso, o elemento decisivo é a organização das palavras, voltada para uma estruturação excelente do texto. Assim, ao preferir dar a sua filha o nome Ana Paula em vez de Paula Ana, o pai está escolhendo o texto (o nome) que soa melhor, que produz melhor efeito estético, ou seja, que é mais belo. Ele está usando a linguagem em sua função poética, tanto quanto um poeta, que escolhe as palavras levando em conta não apenas os seus sentidos, mas também os seus sons, os seus ritmos, as suas imagens, as suas evocações;
4. função REFERENCIAL: o centro da comunicação é o referente, a mensagem é voltada para a referência ao mundo, como ocorre em notícias de jornal ou quaisquer textos informativos a respeito da realidade exterior à comunicação;
5. função METALINGUÍSTICA: a linguagem se volta sobre a própria linguagem, seja por se referir ao código, isto é, à língua em que a mensagem é elaborada (como numa gramática ou dicionário), seja por se referir a si mesma ou a outras mensagens, tomadas em seus aspectos linguísticos (como nos estudos sobre literatura e arte);
6. função FÁTICA: a mensagem se refere ao canal que a transmite. Por exemplo, quando dizemos alô ao telefone, o que comunicamos é que o canal (o sistema telefônico) está conectado. Quando perguntamos Como vai? a alguém que acabamos de encontrar, o que desejamos é iniciar o contacto com a pessoa (ligar o canal), não propriamente saber de sua vida. Várias funções da linguagem podem estar presentes numa mesma mensagem; uma dessas funções, porém, será predominante e as demais, secundárias. Sirva de exemplo o famoso poema de Vinícius de Moraes que começa com De tudo ao meu amor serei atento / Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto... Nesse poema, como em toda poesia, predomina a função poética da linguagem, como acima se explicou. Mas, ao lado da função poética, destaca-se a função emotiva, pois se trata de um poema lírico, assim chamado porque nele um eu (o eu lírico) exprime suas emoções.

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